sábado, 21 de novembro de 2009

Nascimento de uma canção

Se tratando do conjunto música e letra esta canção foi a minha segunda a ser elaborada com estes atributos. Teve a participação de um amigo, Ennio Villa Velha nos acordes da música e também contribuiu com o nome Tártaro, nome no qual tem um significado bem interessante. Que segundo as Escrituras tem haver com os demônios que nos dias de Noé (o cara que construiu a arca) vieram a Terra para terem relações sexuais com as mulheres que aqui habitavam. Isso era um crime segundo os princípios da lei divina, e como um crime tem que haver não necessariamente um castigo, mas nessa situação foi verdadeira, eles receberam a punição de estarem no Tártaro – condição rebaixada espiritual dessas criaturas. Isso talvez não tenha em si um paralelo ou paradoxo com o que a música propõe aos ouvintes, porém é o fundo histórico do título da canção.
Na realidade a luz que veio a minha mente para escrever estes versos e estruturar o poema veio quando trabalhava num escritório de engenharia. Já tinha pensado algumas vezes sobre fazer algo em que as pessoas pensassem em como resolver problemas internos com elas mesmas. Todavia, faltou algo que me chamasse à atenção para colocar estas ideias em ordem e pudesse ao mesmo tempo transmitir isso a quem fosse ler, mas se tratando do ponto de vista musical quem aprecia com seus ouvidos, afinal os ouvidos sabem o sabor dos sons. Estava num momento de ócio do trabalho quando um dos funcionários tinham dito à frase que me ajudou a elaborar a letra da música, havia exclamado mais ou menos assim sobre um pedido de sua filha:
“Mamãe, quero fazer uma tatuagem”!
A mãe foi enfática em dizer que não. No contexto da história a menina tinha apenas 12 anos de idade, segundo a mãe, idade inapropriada para se adquirir uma tatuagem. Aí então me veio uma pergunta na minha mente de forma automática: ‘ Até quando iremos segurar os nossos desejos, quando faremos algo que é interessante para nós... ’? a partir daí comecei a desenvolver o que foi preciso para o nascimento da letra da música. Lembro que no mesmo dia a mostrei ao amigo já citado Ennio ,e nasceu por fim o que se segue a partir de agora Tártaro.

Tártaro

Como seguraremos o monstro dentro de nós?

Já lacei todos os nós

Até certo ponto consegui contê-lo

No entanto começou seu desvelo

Acordou com todo poder

Há controvérsia se quero adormecê-lo

Ou se ou deixo vencer

Uma batalha interna,

Esta poderia ser a guerra moderna

Numa guerra há aliados

Mas onde está a ajuda?

Num grito interno

Na força do espírito

Auto-suficiência

Num genuíno rito

Esta guerra é nossa

Ficaremos afortunados de esperança


domingo, 8 de novembro de 2009

Projeto Rodka

Rodka é o diminutivo de um nome Russo Raskólhnikov que significa cisão, nome simbólico que representa homem cindido, atormentado pela contradição, entre as exigências da vida, à humanidade e a si mesmo e a capacidade de realizá-las. Nota de Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski.
Este nome Rodka achei bem interessante tanto a sonoridade – lembra Vodka – quanto mais profundamente seu significado. Faz-se um paralelo com meu estilo de música.
Desta forma achei oportuno usar este título-tema “PROJETO RODKA”. Que está em fase de gravação e criação. Nas quais terão as seguintes músicas a princípio em versão EP:
- Casa dos Mortos;
- Tártaro;
- Falastrões;
- Sofrendo como um Judas.
A ordem das faixas e outras canções ainda serão definidas e decididas.
A priori serão todas tocadas com voz e violão.
A gravação demo de Falastrões e Tártaro foi realizada sábado, 07 de novembro de 2009.

sábado, 3 de outubro de 2009

Falando dos Faladores

A ideia para o nascimento desta música veio quando estava no escritório onde trabalhava. Uma colega de sala estava no telefone e foi inevitável não guardar a frase que ela havia dito para a mãe dela: “Mãe quanto mais a senhora fala aí em casa, menos a senhora presta”. Não queria nem saber o que ela estava conversando com a mãe dela, no entanto quando ela disse àquilo fiquei impressionado, afinal era a mãe dela. Achei essa frase bem poética, bem rock na veia. Não falaria isso para minha mãe, é claro. Mas veio na memória naquele instante algo que eu já havia lido em algum livro naquele mesmo sentindo da frase da colega que dizia para se ter cuidado com palpiteiros e faladores.
Não que a música pregue as pessoas se comunicarem menos. Pelo o contrário ela motiva a comunicação, sobretudo, com qualidade.
Sua característica marcante é uma simplicidade na letra e na música, com uma rima forte e segura que nosso idioma proporciona.
Continuo ainda com meu microfone de R$ 10,00. Preciso comprar um novo.
Futuramente, não num futuro distante pretendo substituir as canções editadas de forma caseira para um trabalho mais preciso.
Uma boa ouvida à música para todos que viram este post.


Falastrões

Cuidado à parte com os faladores

Que expelem seus odores

Queixam-se de suas dores

Estão em muitos arredores


Quanto mais falam menos servem
Quanto mais oram menos prestam


Atenção à parte aos faladores

Que contam seus horrores

Narram seus perdidos amores

Dizem-se exímios lutadores


Quanto mais falam menos servem
Quanto mais oram menos prestam
Quanto mais palpitam menos prestam



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Apresentação a Casa dos Mortos

Esta canção tem uma história bem peculiar. Era uma noite de Janeiro de 2009, um domingo à noite. Aconteceu o que a música descreve poeticamente. Mostrei-a para um amigo, ele havia comentado e interpretado como algo relacionado à política, porém podendo ter também este jeito de vê-la, ela na verdade retrata um episódio de cunho pessoal e até diria um aspecto de família.
Foi uma pancadaria que havia acontecido naquela noite de domingo. Onde ameaças graves de morte aconteceram, sangue e violência. Bem, este é o contexto da letra da canção, mas o ouvinte e/ou o leitor podem sentir-se a vontade para viajar tanto na letra quanto na música da canção. E segundo José Miguel Wisnik ela está em terças. Espero que gostem desta canção cujo o nome tem haver com o que estava lendo na época – Memórias da casa dos mortos de Fiodor Dostoievski.


Casa dos Mortos


A perseguição é intensa

Querem minha cabeça

Uma ameaça de morte

Numa situação tensa

O ódio é constante

A guerra já vem de décadas

Quando acabará estas brigas incessantes?

O problema está na estrutura

Por falta de conhecimento trouxe ruptura

Para ser franco não sei o começo

Sei onde está o endereço

Não sei que fim ficará

Sei que estou no meio desta porra

Que parece nunca findará

O problema está na estrutura


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Iniciação a musicalidade

O som genuíno tem que haver um contraste violento que chega a dissonância; dramático, vibrante, mais harmônico do que contrapontístico, violento, "impuro" pela presença quase que "literária" de sentimentos e expressões estranhos do que chamam de Música, nele a harmonia é conseguida como uma vitória sobre a desordem, como união de contrários. Esse Lance de som sempre achei algo bem abstrato diria que até uma coisa bem cheia de mistérios - mistérios aos quais tocam profundamente as emoções humanas. Hoje posso dizer que apenas brinco seriamente com ela como se o trabalho e o lazer estivessem interpolados entre um e outro. E comecei essa brincadeira e esse trabalho com meu modesto Folk . As minhas gravações são a princípio totalmente caseiras onde uso um computador e um microfone de R$ 10,00 - do próprio computador. Sou apenas agora um amador tem cerca de 7 meses que comecei essa brincadeira séria de tocar e aprender música. Posteriormente quero colocar um lance de estúdio nos meus Folk's Rocks - saindo portanto desse lance caseiro, não descartando essa forma artesal de música - entretanto fazendo um trabalho mais sério, mais competente.

Segue então a música com os princípios delineados à cima, podem ouvir clicando no Play .

Sofrendo como um Judas
(Afinação 440Hz)


A noite estava clara

O suor estava frio

A mente será que achará?

As lágrimas escorriam como um rio

O que antecedia era o medo

O que tardava era uma espécie de pavor

O sono demorava e não vinha cedo

Como uma psicológica dor

Tentava criar um muro mental

Pensava na minha canção preferida

A impressão que tinha era a invasão de um animal

Não tinha na mente uma pessoa querida

Acordei dessa turbulência

Veio o pensamento da morte

Imaginei ser um tipo de demência

Não quero isso de novo, quero a sorte.

Segurar a onda não é fácil

Ter o controle de si é foda

Não é como um cãozinho dócil

que corre atrás do próprio do rabo e roda